Voltar para o blog

Blog / O fantasma dos projetos inacabados: Como venci a paralisia do TDAH e tirei meus sonhos do papel

Editorial 19 Jun 2026

O fantasma dos projetos inacabados: Como venci a paralisia do TDAH e tirei meus sonhos do papel

Quem tem a mente inquieta — e quem lida com o TDAH sabe exatamente do que estou falando — conhece bem esse ciclo: uma ideia fantástica surge, a empolgação vai ao topo e você entra em um hiperfoco absurdo. São dias, às vezes semanas, virando noites, desenhando telas no Figma e escrevendo linhas de código sem ver o tempo passar.

Licoes construindo produtos de ponta a ponta

O "Iniciador Serial" de projetos

Quem tem a mente inquieta — e quem lida com o TDAH sabe exatamente do que estou falando — conhece bem esse ciclo: uma ideia fantástica surge, a empolgação vai ao topo e você entra em um hiperfoco absurdo. São dias, às vezes semanas, virando noites, desenhando telas no Figma e escrevendo linhas de código sem ver o tempo passar.

Mas a empolgação da novidade inevitavelmente passa. E, no meu caso, quando o foco ia embora, o que sobrava era um monstro complexo, sem estrutura e impossível de compreender. Vinha o desânimo, o projeto ia para a gaveta e o ciclo recomeçava com uma ideia nova.

Por anos, eu fui o "iniciador serial". Comecei de tudo: desde frameworks visuais próprios até portais de conteúdo. Eu tinha a sede de criar, mas zero capacidade de concluir. E demorei muito tempo para perceber que 90% do meu desinteresse no meio do caminho não era falta de talento ou de vontade, era falta de organização. A ânsia de sair criando algo do zero me cegava, me fazia mudar de rota no meio do caminho e bagunçar meu próprio progresso.

O papel dos "opostos" na minha jornada

Se hoje eu consigo olhar para trás e ver esse ciclo quebrado, preciso ser justo e agradecer a quem me cercou. Ao longo dos meus mais de 20 anos de carreira, tive a sorte de trabalhar com pessoas que são o exato oposto de mim.

Nunca vou me esquecer de um chefe — que hoje considero um grande amigo — que era a pessoa mais concentrada e organizada que já conheci; tudo o que eu sempre quis ser. Da mesma forma, guardo com carinho os "puxões de orelha" de uma grande amiga que sempre me ajudava a calibrar a bússola e manter o foco no que realmente importava. Eles sabem quem são.

Ver a eficiência deles e receber esse apoio me inspirou a buscar evolução. Graças a esses amigos e colegas de trabalho que cruzaram o meu caminho, aprendi a lidar com a minha própria mente caótica. O resultado prático disso? Hoje consigo estruturar e finalizar projetos grandes e complexos. O Descolou.com.br (meu ecossistema de ofertas) está na versão 3, e o Dailybyte.com.br — um portal de notícias de tecnologia e cultura geek feito 100% por mim do zero, sem WordPress ou CMS pronto — finalmente saiu do papel e virou realidade. O sonho de compartilhar o que amo virou código em produção.

Como eu organizo o caos: Meu método prático

Se você me perguntar se hoje é fácil, a resposta é um óbvio "não". Eu ainda luto diariamente para manter o foco, mas a diferença é que hoje eu tenho uma estratégia de defesa contra a minha própria mente. Se você também sofre com isso, aqui está o que tem funcionado para mim:

 

  • Parar o código e usar a IA como secretária: Antes de abrir o VS Code ou escrever qualquer linha, eu me obrigo a planejar. Como minha cabeça não organiza bem as ideias em fila, eu simplesmente "cuspo" tudo o que estou pensando em um bloco de notas, do jeito mais direto e bruto possível. Depois, peço para a Inteligência Artificial estruturar essa enxurrada de pensamentos. Isso transforma o caos em um plano visual, facilitando muito o desenho de como vou atacar o projeto.
  • Tirar o escopo da tela (Gerenciamento Visual): Eu sou uma pessoa extremamente visual. Se a tarefa está escondida em um software de Kanban que preciso abrir, eu esqueço que ela existe. Para resolver isso, comprei quadros grandes e escrevo as demandas bem grandes em cards físicos, colados exatamente ao lado do meu computador. Sempre que me perco ou me distraio, o quadro está ali na minha linha de visão me puxando de volta para a realidade.
  • Fixar o horário de começo, não o de término: Para evitar a procrastinação, eu defini regras claras para o início do trabalho. Eu me obrigo a sentar e começar em um horário específico. Agora, o horário de término? Esse eu deixo livre. Quando a empolgação do hiperfoco vem com força, eu me divirto muito construindo, então sigo o fluxo da madrugada adentro com prazer. O segredo é vencer a inércia do começo.

 

Um processo em constante evolução

Subir a V3 de uma plataforma de cupons, organizar um portfólio de duas décadas e construir um portal de notícias do zero, programando manualmente cada rota e banco de dados, me provou que a mente neurodivergente não é quebrada — ela só precisa do ambiente e das ferramentas certas para rodar.

Sei que ainda tenho muito a melhorar, mas olhar para os meus projetos hoje e ver que eles estão no ar, funcionando e recebendo acessos, é uma sensação indescritível. E eu não teria saído do lugar sem a inspiração e a paciência dos amigos e colegas que tive ao longo desses anos.

A jornada de um "iniciador serial" para um profissional que conclui é longa, mas perfeitamente possível.